JORNAL SEM LIMITES DE PÁDUA_RJ: Ariane em busca de um sonho

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ariane em busca de um sonho


   História de vida

Ariane em busca de um sonho

Minha mãe me teve aos 27 anos. A principio uma gravidez normal, porem indesejada por parte do meu pai biológico que me rejeitou mesmo antes de eu nascesse. Quando minha mãe falou com ele que estava grávida a primeira palavra dele foi , “se eu tivesse dinheiro te levaria para tirar”. O susto foi tão grande e a decepção, que minha mãe saiu chorando e quando chegou a casa sua mãe vendo que ela estava em estado de choque, perguntou o que estava acontecendo, pois, nem ela e minha avó não sabiam ainda. Mamãe contou para ela e também levou um choque pela reação dele, já que vovó também gostava muito dele. E falou para minha mãe você não vai tirar. Deixa minha neta nascer e depois a gente vê como vai ficar, pois é sua filha afirmou minha mãe (vovó). E mamãe falou como à senhora pode afirmar que será neta ninguém sabe ainda - E ela me respondeu sei pode escrever e vá procurar um médico para começar seu pré- natal.
 
Assim minha mãe fez. Tudo estava correndo bem conosco apesar da pressão da mamãe ser muito baixa, mamãe levou minha gestação com muito otimismo só que no 3º para o 4º mês minha vovó, mãe dela faleceu de repente, pois ela era hipertensa e diabética e já havia sofrido um AVC, estava com uma pequena seqüela, mas se recuperava com a fisioterapia, e então começou os problemas, porém segundo os médicos, mamãe segurou a barra bem, fez muitos exames para ter esta comprovação já que elas duas eram muito ligadas. Então a medica marcou um ultrasom e a cesariana para a mamãe. Ai então que começou o meu sofrimento segundo minha mãe.

 A maternidade era escola e o medico que fez o ultrassom desmarcou a cirurgia por achar que por ser o 1º filho teria que tentar o parto normal primeiro e depois ver se faria ou não a cirurgia. Fez o exame e achou que eu estava muito quieta mesmo o meu coraçãozinho batendo normal pegou um aparelho tipo buzina encostou na barriga da minha mãe e deu um buzinaço e eu comecei a pular. Então ele disse este moleque vai ser jogador de futebol, ta tudo bem agora mãe quando estourar a bolsa tiver sinal ou passar mal venha para a maternidade.

 Minha mãe passou mal com muita contração no dia que nas contas dela e de minha vozinha falecida fizeram e a cesariana seria feita mais ou  menos uma semana antes.
 Chegando lá fizeram toque e até lavagem só que ela estava só com 2 de
 dilatação, não estourou a bolsa e nem sinal. Horas depois aplicaram um remédio no soro que colocaram para aumentar a dilatação para tirar a dor e mandaram-na ela voltar para casa. Assim ela fez sozinha e não sabia de nada, ficou mais ou menos uns quinze dias até ter o bendito sinal muita contração e nada da bolsa estourar. Volta para a maternidade outro período de sofrimento para nós duas, duas horas até ser internada, pois a dilatação era a mesma dois. Foi para a sala de pré-parto as 19h e 45 min. com os mesmos 2 de dilatação colocaram a no soro para que a dilatação aumentava, mais ou menos ás 23hs ela estava com 5 de dilatação estouraram a bolsa que segundo minha mãe parecia um creme não água (mal comparando parecia uma mousse de morango), foi para a sala de parto as 01hs do outro dia, após muita força e enfermeiros subindo em cima dela e após cortarem ela demais ela ouviu o médico falar: - pegue o forcepes ou levamos para cesariana?
 Como ela sabia que estava toda cortada por baixo o no nervoso  que todos estavam e ela também - gritou já estou toda cortada puxe com a mão o  nesta tensão vocês podem matar meu bebe que já não tem força para nascer e cessaria já era demorar demais e ser muito
 mais arriscado. Com isso ela teve um principio de eclampse quando eu estava sendo
puxada e nasci às 2hs e 48 min. dessa manhã sem dar sinal de vida motor somente meus órgãos vitais. Não chorei e não tinha sequer um movimento, minha parte motora toda comprometida. Minha mãe nem sequer me viu, pois, fui direto para o balão de oxigênio e incubadora no berçário e minha mãe implorando para me ver e não me via. Quando a
enfermeira chegou ao quarto da enfermaria ela perguntou de novo por mim, ela disse é uma menina só esta na incubadora mais tarde a trago para você, ela é linda e cabeluda, e indagou-a é filha de português e eu perguntei por que ela a disse é tão branquinha que até as veias
 aparecem. Mamãe falou não e qual o tamanho dela? 50 cm e 3 kg e 50gms.
 Vamos ao banho mãe. Ai então foi ai que mamãe não conseguiu ficar em pé sozinha estava a puxar da perna esquerda falou o que aconteceu comigo? A enfermeira disse deve ser o nervoso que você passou e pegou a cadeira de roda para ela ir pro banho, tomou o banho e voltou para a enfermaria e a enfermeira mandou que ela me aguardasse. Deu à hora da visita e chegou minha avó paterna que levou mamãe para internar mais por ser madrugada não ficou e levou um susto, quando viu mamãe sem mim e disse cadê meu neto ou neta e mamãe respondeu para ela que neto seu filho não é o pai, eu sou pai e mãe, pois, pai ela não tem - Vovó falou mais avó ela tem e cadê ela. Mamãe contou tudo para ela e ela a levou até o berçário então foi que mamãe e vovó viram que algo muito sério aconteceu comigo.
 Quando as enfermeiras viram minha mãe correram para falar que ela não
  podia entrar ali sozinha ela respondeu não estou sozinha e o que vocês
    fizeram com minha filha? A enfermeira retrucou dizendo nada mãe. Ela
 está na incubadora por que engoliu muita água do parto mamãe disse que
  água que não tinha água nenhuma, o que vocês fizeram:as duas (vó e mãe) fizeram uma arruaça até que eles as tiraram de lá  aplicaram um tranqüilizante na mamãe para conversar com minha avô que estava apavorada, mamãe não viu mais a vovó naquele bendito dia 8. Na outro dia cedinho mamãe despertou com uma equipe médica assistente social, pediatra, psicóloga, ao seu redor para conversar com ela. Então eles explicaram que eu por ter passado da hora de nascer sofreu com a falta de oxigênio no cérebro que provocou a tetraplegia,  e que ela quando são se dali teria que começar um tratamento imediato na época era a LBA e que não me tratasse como se eu fosse uma boneca de brinquedo e sim como se eu tivesse meus movimentos todos normais e que tudo daria certo. Só que na época minha mãe não entendeu direito o que eles estavam dizendo, pois, até então ela nunca tinha reparado ou tinha tido contato com alguém com qualquer tipo de deficiência daquele grau. Já que naquela época as pessoas na grande maioria ainda escondiam seus filhos ou parentes especiais por
terem vergonha, ou medo receio, até hoje ela não sabe ao certo o que estas pessoas achavam ou sentiam, pois, em relação a mim nunca em nenhum momento houve este tipo de discriminação ou medo, receio da parte dela e nem, dos meus parentes mais próximos (família). A loucura maior foi quando ela voltou ao berçário, já que elas não me levaram para ela começou a entender a situação. Segundo ela eu não chorava parecia um carneirinho baixinho não lacrimejava em meus olhos, não sugava estava na sonda que ela tirou e a tem até hoje guardada e pediu pelo amor de Deus que não colocassem mais aquilo em mim, pois ela tinha muito leite e não seria só para os outros ela me estimulou. Só que na verdade eu não
 conseguia sugar com pressão como até hoje. Arrumei foi bastante irmão de leite, pois segundo ela, ela parecia uma vaca leiteira e eu o único movimento que fazia era abrir e fechar os olhos somente.
 
Os dias foram passando e com sete dias deram alta para mamãe e não para mim e ela disse sem minha filha não vou, com isso ficamos 45 dias internadas só saímos porque ela assinou o termo de responsabilidade, pois não via minha melhora, ela não andava direito ficou puxando da perna e só cheirava cardenal. Ai sim que após estar em casa, mamãe melhorou um pouco e procurou auxilio em órgãos competentes para cuidar de mim. Só que foi na época que teve o escândalo do Collor e sua esposa era algo grande da LBA acho que a presidente estava em extinção não deu em nada.  Eles mandaram ela procurar recomendação dos médicos
da maternidade e ela sem ciência nenhuma quanto a outra instituição se apavorou de novo. Porem um anjo caiu do céu. Deus, pois minha mãe para ver a mãe de outra criança especial como eu, não com a mesma deficiência porem ela deu vários endereços para minha mãe. E ela
tentou torrencialmente, mas tudo demorava demais para aguardar vaga e ela queria que eu começasse o tratamento o mais rápido possível foi ai que mamãe resolveu me mandar
 para ficar com minha tia que já tinha visto na cidade que ela mora e que eu vivo hoje para me tratar na APAE de Pádua que minha tia já havia visto para mim e que havia vaga a minha espera e nisso já beirava uns três meses de vida e então aos poucos fui me desenvolvendo,
 mamãe compreendendo um pouco mais a minha deficiência. E estou aqui, pois eles me tiraram o poder de me coordenar minha parte motora toda, porém Deus não deixou que afetasse tanto minha inteligência. Comecei a fazer meus movimentos descoordenados mais faço e a cada instante eu quero mais e pena meus pais não podem, mais tentam tudo o que eu peço e o que eles vêem ou ouvem a respeito. Meu pai já me levou para fazer tratamento e ser esportista de bocha na ANDEFE para as Paraolimpíadas só que eu tive que parar por causa do trabalho da minha mãe, mais voltarei, pois quero muito mostrar que posso e como gosto de poder ser útil dentro das minhas possibilidades, porque meu maior sonho é ser independente monetariamente já que fisicamente tenho muita fé, vontade e esperança mais por enquanto não são possíveis mais a luta continua. E é nesta luta que eu vou vivendo e curtindo a vida mostrando para todos que sou diferente mais não indiferente para tudo que a vida tem. Mostro que quero meu lugar na sociedade, pois gosto e vou aos pagodes, bailes, show, nos desfiles de escolas de samba na qual participo sambando em minha cadeira como posso e me
 realizando e impressionando as pessoas com minha alegria de viver. E tudo e todos os eventos que me convidarem meus pais deixando eu vão e dão tudo de mim com amor e alegria porque o que eu quero é ser feliz.

 Minha professora na APAE comentou sobre mim na faculdade de Pádua FASAP para alguns formandos e eles foram me procurar para me entrevistar e saber realmente se eu era aquilo tudo que ela comentou. Então eu falei que tinha na minha cabeça a vontade de fazer palestras
para deficientes para quem quiser ter mais consciência a nosso respeito e saber que nós merecemos o mesmo amor, respeito, consideração que os ditos normais e perfeitos que ninguém é 100% em nada na vida. O que foi morreu por nós Jesus Cristo!!!

Eu sou uma jovem especial e muito, muito mais além de especial, pois apesar da tetraplegia, não deixo nunca de tentar arranjar um jeito deque eu possa fazer qualquer coisa que me de vontade de fazer em termos de trabalho ajuda a alguém ou alguma coisa para qualquer pessoa que eu veja que esta necessitando. Vocês podem até não acreditar, mais estou aqui para mostrar e confirmar é claro que na maioria das vezes, às vezes mais outras menos de outra pessoa para que me auxilie o que geralmente é minha mãe.
 Mas acreditem vocês eu lavo minha roupa se eu quiser, pois mamãe me
 ensinou, meus sapatos, tiro pó dos moveis nas partes baixa, faço
 toalhinhas trabalhadas, claro do meu jeito e mamãe arremata o que eu "falo" o que é e todos adoram não só por ficar bem, mas pela minha busca de fazer algo sempre e tentar ser
 independente financeiramente.
Se precisar fazer uma comida básico tipo macarrão tendo alguém que não saiba fazer eu sei ensinar, basta me entender. Cuido do meu irmão de 5 anos desde novo e qualquer outra criança que entenda meus gestos e não deixo correr risco se for o caso de não me entender por serem nenéns e tiver alguém em casa em outro cômodo por perto ocupado também dou conta, por que eu balbucio até me ouvirem e perceberem que vai acontecer algo errado e eles vêem correndo. E até bijuterias eu já fiz muitas e vendi bastante.

 Na  31 Expo de Santo Antônio de Pádua, houve o show do sorriso maroto e eu fui com os meus pais e meu tio e meu irmão chegando lá meu pai foi logo providenciando para que eu assistisse o show dentro da área reservada do palco e assim foi eu fiquei bem pertinho daqueles gatinhos dancei muito gritei muito,ganhei uma faixa deles para por na minha cabeça e eles me mandaram água e refrigerante foi ótimo!

 Essa é a minha historia para você Márcia, pedir um auxilio ao presidente do Rotary.Ou algum órgão,empresa, que possa me ajudar a realizar o meu sonho de ter uma cadeira de rodas motorizada com controles de mão é normalmente utilizado para as atividades diárias,vou poder operar uma cadeira de rodas elétrica, usando um controle de cabeça, bastão na boca ou controle no queixo, se essa realidade acontecer,para mim seria um presente de Deus!

Obrigado

 

 

 

Ao receber esta carta fiquei muito emocionada, e pesquisei na internet sobre o assunto e, mas uma vez encontrei casos repetidos, historias semelhantes, Assim como Rafinha, Kakau sonha em ter uma cadeira de rodas motorizada A campanha já é conhecida. O sonho em comum, também. Há poucas semanas, o jornal Portal de Notícias contou a história de Rafaela Santos da Costa, a Rafinha, moradora de Butiá, que almejava ter uma cadeira de rodas motorizada. O presente tão esperado foi entregue para a menina, graças à solidariedade das pessoas que se empenharam para arrecadar recursos. Hoje, a história se repete, mas a protagonista agora é Ariane de santo Antonio de Pádua, moradora no bairro Arraizinho.

Tivemos aqui o Michael que mora na Cidade Nova, ganhou uma cadeira da prefeitura simples, mas até hoje se encontra em uma cama, não consegui ajuda necessária para iniciar seu tratamento, onde poderia estar em condições muito melhores. Com trajetórias de vida semelhantes, ambas com paralisia cerebral, Kakau aguarda o dia em que terá também sua nova cadeira. As limitações físicas são o resultado de complicações na hora do nascimento.

- Não tive dores na hora do parto e como acharam que não estava na hora da minha filha nascer, foram passando outras gestantes na fila para serem atendidas. Mas vi que tinha algo errado, pois a bolsa não havia se rompimento. No momento do nascimento, nenhum problema foi diagnosticado – conta a mãe de Kakau, Ana Paula Wictzorck, 33 anos.

As limitações da menina ficaram aparentes quando ela completou seis meses de vida.

- Ela não sentava sozinha e a mão e o braço direito estavam sempre encolhidos. Levei-a ao hospital e me diziam que era normal, que cada criança tinha o seu tempo para se desenvolver. Em uma série de exames detalhados, realizados no Hospital Santa Casa, em Porto Alegre, veio o diagnóstico: paralisia cerebral. Explicaram-me que ela passou da hora de nascer. Com isso, ficou sem oxigenação no cérebro. Se a bolsa tivesse estourado, ela teria nascido sem problemas. Na verdade, a bolsa atrapalhou a passagem do bebê na hora do nascimento – fala.

Mãe solteira, Ana Paula enfrentou muitos obstáculos. Sem poder trabalhar para dedicar-se a Kakau, foi em busca de todos os recursos necessários para garantir qualidade de vida para a filha. A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) ajudam Kakau em seu desenvolvimento.

- Por muitos anos me questionei dessa situação. Mas fui conhecendo a palavra de Deus e agora sei que as coisas acontecem como devem acontecer. Tinha que ser assim. Decidi seguir em frente.  Orgulho-me disso – conta Ana Paula.

As historias não são semelhantes?A mesma situação a hora do parto.mas o final pode ser diferente.

Assim como Rafinha, Kakau ,Michael,Ariane sonha em ter uma cadeira de rodas motorizada,e isso depende da solidariedade de todos.Eu gostaria que todos nós e principalmente donos de grandes empresas lucrativas parassem para pensar e se colocasse no lugar de pessoas esses jovens imóvel  em cima de uma cama,ou em uma cadeira de rodas velha.A vida é uma surpresa. Ninguém sabe o que pode acontecer amanhã. E se um dia, algum deles ficasse como eles?Se todos pensassem assim, trataria o outro do jeito que gostariam de ser tratados.  Se nunca conseguirmos nos colocar no lugar das outras pessoas, respeitá-las, amá-las e tratá-las da forma que gostariam que nos tratassem, nada de bom pode acontecer para nós mesmos. Hoje domingo (08.12.12) fui à casa de Ariane era só alegria, ela pulou a me ver, nossa que sorriso lindo. Percebi que existem muito mais coisas entre o céu e a Terra do que eu imaginava.  Senti-me renovada e ao mesmo tempo envergonhada só de imaginar que se acontecesse comigo, não sei como reagiria sua história é impressionante .
 Essa menina vai conseguir, ela merece! Não posso deixar de dizer que é um dos maiores exemplos que eu já vi e uma das maiores lições que tive, porque ela é um exemplo de renovação e fé.

 

O que são tetraplegia e paraplegia

A paraplegia é uma incapacitação das funções sensoriais e motores nas extremidades inferiores. Quando os braços também são afetados pela paralisia, o termo correto é tetraplegia. Paraplegia e tetraplegia são geralmente resultado de lesão na medula espinhal ou de uma condição médica congênita chamada spina bífina, a qual afeta elementos neurais no canal espinhal. A área do canal espinhal afetada na paraplegia pode ser a torácica, lombar ou sacral. Se os braços também forem paralisados a pessoa terá tetraplegia. Pessoas com paraplegia são denominadas paraplégicas, e com tetraplegia, tetraplégicas.


 

 

 

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